| |
Li isso daqui essa semana no blog do Mário Bortolloto. Acho que as coisas são por aí mesmo: MULHERES, BLUES E MUITO WHISKY - ME PARECE UMA TRINDADE SAGRADA "Você parece desanimado. Tudo certo?" "Perdi uma mulher." "Logo vêm outras, e você também vai acabar perdendo elas." "Pra onde elas vão?" "Experimente isso aqui." Era uma garrafa em um saco. Tomei um gole. Vinho do porto. (Do livro "Factotum" de Charles Bukowski) Estou lendo o livro "Texto Autobiográficos" do grande Buk. Na verdade é uma espécie de apanhado de vários textos de vários livros do homem seguindo uma ordem cronológica acompanhando a sua vida. Então começa lá com trechos do "Misto Quente", passa por "Factotum" e segue em frente. Entre os textos há alguns poemas geniais que eu não conhecia e alguns trechos do livro "Septuagenariam stew" que eu também não conhecia. Muito bom de ler. Tava comentando com o Napão dia desses sobre o livro (ele tá carregando o livro dentro de uma mochila e fica lendo em toda pausa que lhe sobra) e a gente falava que dá vontade de reler toda a obra do cara. Incrível como o prazer se renova. Desde o dia que li "Cartas na Rua" na Biblioteca de Londrina até hoje, é incrível como o prazer se renova ao ler o Velho. Foda mesmo. Mas ele tava falando de mulheres aí em cima. Essa história de perder as mulheres. Nós, homens, somos sujeitos tão miseráveis que nos apegamos à qualquer migalha. Lembram de Cazuza, né? "Migalhas e restos me interessam" ou "Nosso amor a gente inventa". Ele sabia, embora dizem que não gostava muito de mulheres pra coisa em si que nos interessa tanto. Mas e daí? Acho que os sentimentos não mudam muito. A verdade é que ele entendia do assunto. Então de vez em quando acontece da gente gostar de uma mulher. Digo, gostar razoavelmente a ponto de inventar algo parecido com "amor" e idealizar histórias e fazer planos. Planos podem matar um pobre iludido. É um passo pra se sentir um grande fracassado. E convenhamos, temos talento pra isso, né? E nós temos propensão a nos iludir. E às vezes acontece da mulher também parecer gostar minimamente da gente. Aí a armadilha tá lá, sorrindo por trás da teia, sabe como é? O que nós nunca vamos entender é que as mulheres tem interesses diferentes dos nossos. Em algum momento de suas vidas, elas podem até voltar a sua atenção para sujeitos como nós que bebem sozinhos esperando vagar a mesa de bilhar. Mas elas vão se distrair em breve. Há coisas melhores por aí, desde um sujeito que sabe se vestir e falar as palavras certas até alguma marca nova de batom que só elas conseguem diferenciar. Então o melhor a fazer é beber de alguma garrafa e procurar se iludir o menos possível. Vamos continuar gostando muito delas. E não há nada que possa impedir isso. E assim vamos seguindo pro fim. Talvez algum motorista desavisado e maluco apareça e nos jogue pra fora da estrada, mas se isso não acontecer, prosseguimos em nossa caminhada de formiga cdf para o fim inevitável.
Escrito por João Garays às 23h54
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|